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Cine Dona Chica.: Festival do Juri Popular.: Campeche

O Festival do Júri Popular é um festival competitivo de curtas-
metragens, sem júri oficial, onde o público vota em todas as categorias. Pela primeira vez no Centro Cultural Banco do Brasil, o evento acontece simultaneamente em 20 cidades espalhadas pelas 5 regiões do país exibindo o melhor do panorama de curtas brasileiros do último ano. O objetivo é valorizar e difundir nacionalmente as produções tornando-as acessíveis a diferentes públicos e incentivando uma discussão estética ao possibilitar a expressão e integração de opiniões das mais diversas plateias, além de fomentar sua postura ativa e reflexiva em relação ao audiovisual.

Terno de reis: cultura de raiz

Terno de reis do Campeche

Há 15 anos, preocupado com o desaparecimento das tradições açorianas, o incansável Gelcy Coelho, Peninha, então trabalhando no Museu da UFSC, onde conseguiu recuperar as obras de Cascaes, decidiu realizar um encontro de Terno de Reis. Afinal, essa tradição de andar de casa em casa, anunciando a boa nova, sempre foi muito arraigada à cultura local. Mas, com a migração e a especulação imobiliária, os costumes nativos foram perdendo força e a urbanização acelerada também foi suprimindo o hábito das visitas e das serenatas.

Então, buscando aqui e ali, o Peninha descobriu que, apesar de todos os problemas e do inchaço desordenado da cidade, a tradição sobrevivia em alguns bairros. Em pouco tempo já foi possível juntar vários grupos que ainda praticavam o milenar costume de anunciar a chegada de Cristo no dia seis de janeiro. E então surgiu o encontro dos Ternos de Reis que foi realizado com pompa e circunstância na catedral da cidade.

Hoje, o encontro segue acontecendo, já encampado pela Fundação Franklin Cascaes, responsável pela política cultural municipal. Assim, na semana do seis de janeiro, os ternos de reis dos bairros tradicionais se reúnem na praça central para lembrar e celebrar. E é coisa muito bonita de se ver porque centenas de pessoas acorrem para o centro numa alegria sem fim. Poucas vezes se pode testemunhar um encontro tão grande da gente nativa, do povo mais velho, ligado na tradição. As pessoas põem seu melhor traje e vêm, com a família inteira para honrar o “deus menino”.

As escadarias da catedral são insuficientes para tanta gente. E as senhoras da Barra da Lagoa, do Ribeirão, de Santo Antônio, do Sambaqui, do Campeche aparecem plenas na sua beleza. Um a um os ternos vão se sucedendo, numa cantoria bonita e aguda que, de tão alta, chega ao céu. Como explica Peninha, o terno de reis é uma tradição de anunciação. “Como antigamente não havia rádio, nem internet, era preciso que as pessoas andassem pela comunidade anunciando as coisas, um nascimento, um casamento, uma festa. E o dia de reis era um desses dias. Tinha que anunciar a chegada do salvador. E esse grupo é chamado de terno porque tem três vozes: a primeira, a segunda e a oitava. A oitava é essa voz agudíssima, bem alta, que era para chegar ao infinito”.

Na praça de Florianópolis o encontro chegou a sua 15 edição, com mais de 15 ternos se apresentando, alguns deles com gente bem jovem, o que mostra que apesar de toda a tecnologia de comunicação que está colocada a serviço das gentes, ainda há essa necessidade visceral do encontro face-a-face, da comunhão, da festa comunitária.

Floripa Instrumental ancora no Ribeirão da Ilha

No final de semana de 26 e 27 de novembro, o bucólico e preservado Ribeirão da Ilha coloca no palco o melhor da música instrumental brasileira gratuitamente. Se apresentam no Floripa Instrumental o violonista Yamandu Costa com o grupo Ginga do Mané, o gaitista Gabriel Grossi e banda, o lendário baterista Robertinho Silva, o multiinstrumentista Arismar do Espírito Santo e o guitarrista Toninho Horta, um dos pais do Clube da Esquina. Tem ainda Jorginho do Trompete, os acordeonistas Toninho Ferragutti e Bebê Kramer  que serão recepcionados por Guinha Ramires, Cássio Moura, Felipe Coelho, Grupo Metal Brasil e a centenária Banda da Lapa. Read the rest of this entry »

Novembrada Cultural

Em 2004, mais de 300 artistas e produtores de cultura saíram às ruas de Florianópolis para protestar contra atos do governador Luiz Henrique da Silveira, que, de acordo com a maioria da categoria, feriam frontalmente o desejo de uma política pública e democrática para a cultura em Santa Catarina. O movimento, chamado de Frente em Defesa da Cultura Catarinense, conseguiu uma vitória histórica, ao barrar, na Assembleia Legislativa, barbaridades como a extinção da Fundação Catarinense de Cultura e da municipalização da Biblioteca Pública Estadual. Entre outras questões, a Frente exigia uma política pública de Estado, e não mais de governo, o respeito às decisões do Conselho Estadual de Cultura, o lançamento de editais públicos de cultura, a criação de um Fundo Estadual de Cultura e a separação da área da cultura das do esporte e turismo, para a criação de uma secretaria exclusiva para cultura. [Leia mais em http://novembrada.org/]

Viva o dia do Saci

Dia 31 de outubro é dia do Saci, para se contrapor a esse colonialismo mental que é a celebração do Halloween. O dia das bruxas é uma festa bem legal, mas é de outra cultura. A nossa é a do Saci e a gente te convida a celebrar. Para saber como nasce o Saci e outras histórias, veja o vídeo:

http://vimeo.com/11609651

Audiência Pública – Segurança sul da ilha

Como tem bastante gente reclamando da segurança no bairro e em todo sul da ilha, aí está o convite para a Audiência Pública da Segurança, que será realizada no Conselho Comunitário Fazenda do Rio Tavares, na próxima quarta-feira, dia 26 de outubro, às 19h.  É só chegar!

Vídeo sobre o Bar do Chico e as lutas do Campeche

Vídeo produzido por Todd Southgate e Ivan de Sá. Um pouco da nossa história.

Bar do Chico

Olhar o passado para pensar o futuro

Vejam o vídeo sobre a Ponta do Coral.

http://youtu.be/Aq4L4b4n9HE

Rodobens faz BO

A empresa que construiu a passarela derrubada pelo povo do Campeche fez boletim de ocorrência e quer saber quem foi o responsável pela ação. As gentes do bairro, que vêm dizendo não à destruição desde muito tempo, não temem. Por isso, circula pela internet a informação desejada pela empresa. Quem derrubou a passarela foi o povo do Campeche. Não foi um, nem uma, foi o povo em luta, em rebelião! Compartilhe!

eu estava

Comunidade faz valer sua voz

Por elaine tavares – fotos Dauro Veras

De repente, no meio das dunas, entre o verde da mata e o amarelo da areia começou a crescer um monstro de pau. Misteriosamente vinha de um condomínio de luxo, construído na beira da praia. Por dias, o que se via da areia era uma profusão de madeiras, pregos e homens. A comunidade espiava, no seu jeito ilhéu, cismando. E o monstro vindo.

Então, numa manhã, aquela língua de madeira chegou à praia, destacando-se nas dunas como uma ferida aberta, uma grotesca chaga, um manifesto separatista. Desembocava cinicamente, e sem pudor, no exato lugar onde por anos vicejou o bar do Chico, espaço solidário da comunidade do Campeche, lugar das conspirações, das lutas e das festas populares. O bar que foi derrubado numa manhã chuvosa e gris, sem que as gentes do lugar pudessem fazer nada, depois de levar anos em luta para mantê-lo onde estava. Vieram as máquinas e os homens do poder. “Está sobre as dunas, tem que cair”, diziam.

Agora, o Condomínio Essence, um pequeno monstrengo moderno, de dezenas de apartamentos espremidos entre si, mas de alto padrão, reafirmava seu poder, tripudiando da comunidade na qual pretende incluir mais de mil moradores. O monstro de madeira era uma passarela que ia desde a saída dos prédios até a beira da praia, serpenteando por entre as dunas. Um refúgio seguro para os privilegiados moradores. Uma caminhada de 300 metros sem colocar o pé no chão. A natureza servindo utilitariamente apenas como paisagem.

A comunidade que cismava, decidiu agir. Vieram reuniões, idas aos órgãos ambientais, prefeitura, secretarias. Se o bar do Chico caíra, porque a passarela haveria de ficar nas dunas? “Vai proteger”, alardeavam alguns defensores da natureza. Mas, quem vive no Campeche sabe muito bem o que é que protege as dunas e a natureza. É a gente do Campeche, pessoas que amam o lugar e que amam viver num bairro jardim, onde a natureza não é coisa, é parte de cada um. Esse povo não protege a natureza porque é bonito ver o verde, as dunas e a praia. Protege porque o verde, as dunas, a praia estão entranhados no modo de ser de quem vive nesse lugar, nativo ou não.

Todos os caminhos institucionais foram trilhados, mas ninguém ouviu o clamor. O secretário do “desenvolvimento” ainda ameaçou: “Isso é o futuro. Virão outras”. Isso porque o projeto dessa gente que administra a cidade é fazer uma Florianópolis só para quem pode pagar bem caro por ela. E isso inclui a natureza. Nos enormes cartazes das construtoras, a praia, a areia, o sol, tudo está à venda, incluído no preço. E com um sabor a mais. A pessoa ainda não precisará viver o incômodo de sujar o pé. Pode pegar sua cadeirinha na porta de casa e ir até a beira do mar protegida pela passarela. Haverão de banhar-se?

Na última sexta-feira (30) o povo protestou. Nada aconteceu. No dia seguinte, voltaram as gentes. Desta vem em maior número. Sábado de sol. Praia bonita. Passarela terminada, bem nos destroços do bar do Chico. Era coisa demais. Uma instalação artística re-construiu o velho bar, com uma foto do seu Chico.Alguns choravam. Outros reclamavam, indignados. Então alguém gritou: “ao chão”. O mesmo grito dos homens do poder ao histórico bar numa manhã chuvosa. Mas, nesse sábado, não teve máquina. Teve gente. Teve comunidade. Uma a uma, unidas em pequenos grupos, as pessoas foram arrancando os paus, na mão mesmo, puxando, quebrando, libertando a duna do monstro de pau. Em pouco tempo já havia uma montanha de madeira e o malfadado “deck” já era. Ouvia-se o riso, corriam as lágrimas, palmas. “Foi um dia histórico. A comunidade mostrou que, unida, pode fazer valer a sua voz”.

A passarela foi arrancada da duna, mas a luta não acabou. Essa é uma queda de braço entre dois projetos muito claros: um deles prega o desenvolvimento predador, ainda que só de alguns, os clientes. O outro insiste em manter um modo de vida que avança com o tempo, mas que não destrói. Que preserva cultura, jeito de ser, simplicidade e harmonia com a natureza. É uma batalha titânica que cabe agora ao sul da ilha. O norte já passou por isso e perdeu. Aqui no Campeche, agora que é noite e cai uma chuva fina, as pessoas estão em casa, cismando e fazendo planos. Conheço meus vizinhos e sei: se depender de cada um, a passarela não volta mais.