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	<title> &#187; Notícias</title>
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		<title>MPF quer garantir posse de terras para comunidade tradicional de Imbituba</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 01:26:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[(Tubarão)  10/08/10 &#8211; A comunidade dos Areais da Ribanceira habita o local há quase 200 anos  O Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública contra as empresas Engesul Indústria e Comércio e Sulfacal Indústria e Comércio de Gesso com o objetivo de garantir a posse das terras da comunidade tradicional dos Areais da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Tubarão)  10/08/10 &#8211; A comunidade dos Areais da Ribanceira habita o local há quase 200 anos  O Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública contra as empresas Engesul Indústria e Comércio e Sulfacal Indústria e Comércio de Gesso com o objetivo de garantir a posse das terras da comunidade tradicional dos Areais da Ribanceira, em Imbituba, aos agricultores e pescadores artesanais que foram retirados de lá.</p>
<p>Conforme a ação do procurador da República em Tubarão, Celso Antonio Tres, a Engesul, que tinha a propriedade da área ocupada pela comunidade tradicional antes de repassá-la à Sulfacal, ajuizou ação de reintegração de posse, cujo mandado para remoção da comunidade foi cumprido no último dia 28.</p>
<p>As terras da comunidade dos Areais da Ribanceira abrangem 240 hectares e são ocupadas por cerca de 100 famílias de pequenos agricultores e pescadores, que têm nesse local sua história e seu modo de vida, e dele dependem para sua sobrevivência. A ocupação da área remonta ao século XIX. Há quase 200 anos, essa comunidade tradicional reproduz sua forma de sobrevivência com o cultivo da terra e a extração de plantas medicinais em interação com a pesca artesanal.</p>
<p>Segundo a comissão de direitos e garantias fundamentais de amparo à família e à mulher, da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), que visitou a população dos Areais da Ribanceira, os membros da comunidade vinham sofrendo com diversos atentados aos direitos humanos, como perseguições, cárcere privado e tortura, destruição de benfeitorias e impedimento de trabalhar na região.</p>
<p><span id="more-984"></span></p>
<p>Reunião da comunidade dos Areais com a comissão de direitos fundamentais da Alesc.     De acordo com a ação do MPF, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) instaurou processo para o reconhecimento e regularização fundiária da comunidade tradicional dos Areais da Ribanceira.</p>
<p>Além disso, tramita na superintendência estadual do INCRA procedimento que visa à fiscalização do cumprimento da função social do imóvel de propriedade da Sulfacal Comércio de Gesso. Paralelamente à atuação do INCRA, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) está conduzindo processo referente à proposta de criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Areais da Ribanceira.  Tendo em vista que a Justiça Federal em 1º grau indeferiu o pedido do procurador Celso Tres para que fosse determinada a suspensão da reintegração de posse e o retorno dos agricultores e pescadores tradicionais aos imóveis, o MPF está recorrendo da decisão junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região.</p>
<p>Venda irregular da área – em 2005, a Justiça Federal determinou, em outra ação do MPF, o sequestro dos imóveis da Engesul.</p>
<p>Conforme o procurador Celso Tres, na liquidação da extinta estatal federal Indústria Carboquímica Catarinense (ICC), restou patrimônio de cinco áreas no perímetro urbano de Imbituba, que somavam 257 hectares. Cerca de 75% dessas terras eram ocupados pela comunidade dos Areais da Ribanceira. Em junho de 1998, a ICC licitou os bens, sendo vencedora a Cimento Rio Branco (Votorantim), que ofertou por eles R$ 2,3 milhões. Porém, a empresa desistiu da compra.</p>
<p>Em fevereiro de 2000, a ICC deu os bens em pagamento de suas dívidas junto à Gaspetro, outra estatal federal. Em maio daquele ano, sem licitação ou avaliação dos bens, a Gaspetro vendeu tudo à Engesul por cerca de R$ 1,4 milhão. Segundo o procurador Tres, a empresa não pagou os valores à estatal, que em 2003 aceitou a venda por valor menor: R$ 1,1 milhão. Do total de terras, a Engesul vendeu 17 hectares para a Cimento Rio Branco, recebendo o mesmo valor cobrado pela Gaspetro na venda de todas as áreas: R$ 1,1 milhão.</p>
<p>Para o MPF, a venda não foi precedida do devido processo licitatório, tendo em vista que a Gaspetro é uma sociedade de economia mista, integrante da administração pública indireta, e era proprietária de um bem público.  ACP nº 5000356-89.2010.404.7216</p>
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		<title>Arreda do Caminho o Bar do Chico vai voltar!</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 00:30:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>debora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue o vídeo da Manifestação em protesto a derrubada do Bar do Chico que aconteceu nesta manhã de domingo.

Com muito ritmo e alegria o Campeche não desiste de lutar por seus espaços e pela cidade que quer.
&#8220;Maricota mandou dizer pro Campeche preservar. Não ao Estaleiro e ao Emissário aqui no mar. E arreda do caminho que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segue o vídeo da Manifestação em protesto a derrubada do Bar do Chico que aconteceu nesta manhã de domingo.</p>
<p><object style="width: 425px; height: 350px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/a2EYgEdwMZY" /><embed style="width: 425px; height: 350px;" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/a2EYgEdwMZY"></embed></object></p>
<p>Com muito ritmo e alegria o Campeche não desiste de lutar por seus espaços e pela cidade que quer.</p>
<p>&#8220;<em>Maricota mandou dizer pro Campeche preservar. Não ao Estaleiro e ao Emissário aqui no mar. E arreda do caminho que o Bar do Chico vai voltar</em>&#8220;.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-966" title="DSC_5978" src="http://blog.radiocampeche.com.br/wp-content/uploads/2010/08/DSC_5978.JPG" alt="DSC_5978" width="576" height="368" /></p>
<p>[Foto: Marcos HS]</p>
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		<title>Mínimo deveria ter sido de R$ 2.011,03 em junho</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Aug 2010 20:13:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Publicado originalmente na página do Núcleo Piratininga de Comunicação, o NPC:
http://www.piratininga.org.br/
O salário mínimo do trabalhador brasileiro deveria ter sido de R$ 2.011,03 em julho para que ele suprisse suas necessidades básicas e da família. A conclusão é de um  estudo divulgado no último dia 4 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado originalmente na página do Núcleo Piratininga de Comunicação, o NPC:</p>
<p>http://www.piratininga.org.br/</p>
<p>O salário mínimo do trabalhador brasileiro deveria ter sido de R$ 2.011,03 em julho para que ele suprisse suas necessidades básicas e da família. A conclusão é de um  estudo divulgado no último dia 4 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que utilizou dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica do mês passado, realizada em 17 capitais do Brasil.</p>
<p>Com base no maior valor apurado para a cesta no período, de R$ 239,38, em São Paulo, e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação, moradia, saúde, transportes, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo deveria ter sido 3,94 vezes maior que o piso vigente no Brasil, de R$ 510.</p>
<p>Na média das 17 cidades pesquisadas, o trabalhador que ganha salário mínimo necessitou cumprir uma jornada de 91 horas e 50 minutos para realizar a mesma compra que, em junho, exigia a realização de 94 horas e 56 minutos. Em julho de 2009, a mesma compra necessitava o cumprimento de 97 horas e 12 minutos.</p>
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		<title>Leia com atenção, pois é importante</title>
		<link>http://blog.radiocampeche.com.br/2010/08/leia-com-atencao-pois-e-importante/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 02:44:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Retirado de passapalavra.info
Wikileaks sob ataque: suposto informante é preso


26 de Julho de 2010
Categoria: Mundo

Prisão de suposto informante de Assassinato Colateral desencadeia campanha contra WikiLeaks. Numa trama de hackers e vazamento de informação, o quebra-cabeça permanece incompleto. Por Passa Palavra
 

Em 26 de maio de 2010, o Analista de Inteligência do Exército dos  Estados Unidos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Retirado de passapalavra.info</p>
<p>Wikileaks sob ataque: suposto informante é preso</p>
<div>
<div>
<p><span>26 de Julho de 2010</span><br />
Categoria: <a title="View all posts in Mundo" rel="category" href="http://passapalavra.info/?cat=6">Mundo</a></div>
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<p style="text-align: justify;"><em>Prisão de suposto informante de</em> Assassinato Colateral<em> desencadeia campanha contra WikiLeaks. Numa trama de hackers e vazamento de informação, o quebra-cabeça permanece incompleto</em>. <strong>Por Passa Palavra</strong></p>
<p><span id="more-26966"> </span></p>
<div style="text-align: justify;">
<p>Em 26 de maio de 2010, o Analista de Inteligência do Exército dos  Estados Unidos, Bradley Manning, foi preso no Iraque e transferido sob  custódia para o Kuwait. Detido sem julgamento ou acusação legal, o  militar de 22 anos é suspeito de ser o informante do vídeo <em>Assassinato Colateral</em>, publicado e divulgado mundialmente pelo site <a href="http://wikileaks.org/" target="_blank">WikiLeaks</a> [publicado no <em>Passa Palavra</em>, com legendas em português, <a title="http://passapalavra.info/?p=22066" rel="nofollow" href="http://passapalavra.info/?p=22066">aqui</a>].  Suspeita-se que Manning também enviou 150 mil documentos restritos ao  site. Procurado por agentes da inteligência dos EUA, o fundador e porta  voz do site, Julian Assange nega ter acesso a esses documentos. Numa  trama de hackers e vazamentos de informação, o quebra-cabeça permanece  incompleto.</p>
<p><strong>I. A justiça pela transparência</strong></p>
<p>O WikiLeaks é uma plataforma para colaboradores anônimos publicarem  documentos de acesso classificado de governos, sistemas de governança de  empresas e demais organizações. O material enviado pela Internet  trafega, antes de chegar ao site, por países juridicamente favoráveis à  proteção da fonte jornalística, como Suécia e Bélgica, e juntamente com  um amontoado de dados sem qualquer valor, apenas lixo eletrônico. Tudo  para proteger a origem do envio e dificultar a sua interceptação. Essa  estrutura técnica, que também replica sistematicamente todo seu conteúdo  em outros servidores, permite que a organização seja “multijurídica”,  distribuída e anônima. Em termos técnicos, o site baseia-se numa versão  própria do MediaWiki – software utilizado pela enciclopédia Wikipédia –  com a utilização de ferramentas de criptografia (OpenSSL e GPG) e  anonimato (<a href="http://tor.eff.org/" target="_blank">Tor</a>).</p>
<div id="attachment_26985" style="width: 178px;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/julian_assange_copenhagen.jpg"><img title="julian_assange_copenhagen" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/julian_assange_copenhagen.jpg" alt="Julian Assange durante apresentação em Copenhagen" width="168" height="167" /></a>Julian Assange durante apresentação em Copenhagen</div>
<p>Fundado pelo hacker australiano Julian Assange, o projeto baseia-se  no princípio de que a transparência é condição elementar para a prática  democrática e, como ele próprio costuma dizer, o objetivo é a justiça, o  meio é a transparência. Ainda sobre o objetivo, seu fundador declara  que o interesse principal é expor regimes repressores e também revelar  práticas ilegais e abusivas de governos e corporações do mundo todo. A  missão do projeto, de um modo geral, é “abrir governos” <strong>[1]</strong>.</p>
<p>Desde 2007 online, gerido por uma equipe de voluntários e mantido por  doações, o site sofreu mais de 100 ataques jurídicos e, durante 2009,  recebeu em média 30 documentos por dia. No entanto, a política editorial  é de primeiro checar [verificar] sua autenticidade e limpar quaisquer  traços, impedindo que sua origem seja rastreada. Atualmente, o seu  mecanismo de publicação passou por melhorias técnicas e, durante junho,  não foi possível submeter novos documentos.</p>
<p>Identificados apenas pela sigla inicial de seus nomes, a equipe de  voluntários também é responsável pela análise e resumos dos materiais.  Sem a realização dessa tarefa, o documento corre o risco de tornar-se  inacessível. Documentos militares, que incorporam muitos códigos, sem um  glossário contextualizado são de difícil compreensão. Além da análise, a  fonte original também é disponibilizada online para ser analisada por  qualquer um. Se no método científico é necessário mostrar as fontes dos  dados para que se possa reproduzir o experimento, na idéia de  “jornalismo científico” de Assange, as notícias também precisam ter suas  fontes abertas para que outros possam extrair delas suas próprias  interpretações. Uma lição extraída do movimento de código  aberto/software livre, onde o código dos programas são disponibilizados  para qualquer pessoa estudar e modificar.<span id="more-942"></span></p>
<p><strong>II. O “Projeto B” e o seu informante</strong></p>
<p>Entre fevereiro e abril de 2010, um grupo de voluntários trabalhou no  chamado “Projeto B”. O projeto buscava analisar, legendar,  contextualizar e preparar uma campanha de lançamento de um vídeo vazado  do Exército dos Estados Unidos, de modo que fosse impossível retirá-lo  da Internet. Na última semana de março, reunidos numa casa alugada na  Islândia – apelidada de “Bunker” – e com apoio de um jornal, de uma  jovem política do país, eles terminaram o trabalho. As operações do  grupo foram financiadas por um ativista hacker holandês que cedeu 10 mil  euros ao projeto.</p>
<div id="attachment_26979" style="width: 310px;"><a rel="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/collateralmurder.jpg" href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/collateralmurder.jpg"><img title="collateralmurder" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/collateralmurder-300x212.jpg" alt="Quadros do vídeo revelado" width="300" height="212" /></a>Quadros do vídeo revelado</div>
<p>Entre os títulos <em>Assassinato Colateral</em> (<em>Collateral Murder</em>, em inglês) ou <em>Permissão para Atacar</em> (<em>Permission to Engage</em>,  em inglês), escolheram o primeiro, um trocadilho com o termo militar  “dano colateral”. O vídeo de trinta e oito minutos é uma gravação das  câmeras internas de dois helicópteros Apache do Exército dos Estados  Unidos, os quais disparam contra um grupo de civis iraquianos matando  pelo menos oito, entre eles dois correspondentes da Reuters, em Nova  Bagdad, em 2007. Para assistir ao vídeo, <a href="http://passapalavra.info/?p=22066" target="_blank">veja mais aqui</a>.</p>
<p>E, ainda durante a repercussão da campanha, o WikiLeaks anunciou que  estava trabalhando num novo vídeo sobre o “Massacre de Garani” – nomeado  como “Projeto K” –, ocorrido no Afeganistão, em 2009. Neste último, o  vídeo revela um ataque aéreo norte-americano que matou 140 civis, sendo  92 crianças.</p>
<p>A identidade do suposto informante veio a público no início de junho, quando a revista <em>Wired</em> publicou em primeira mão uma matéria factual sobre o caso e, nos dias  seguintes, trechos da conversa entre o soldado informante e o hacker  Adrian Lamo. Durante cinco dias, o militar e o hacker trocaram mensagens  e conversaram online sobre os dados revelados e os que ainda viriam a  público. No sexto dia, Lamo já havia enviado todo o conteúdo da conversa  ao FBI. Segundo o delator, o conteúdo dos documentos colocaria em risco  a segurança nacional e, por isso, tratou o caso como de espionagem e  traição.</p>
<div id="attachment_26975" style="width: 165px;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/brad-manning-out-of-uniform.jpg"><img style="border: 1px solid black; margin: 5px;" title="brad-manning-out-of-uniform" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/brad-manning-out-of-uniform-194x300.jpg" alt="brad-manning-out-of-uniform" width="155" height="240" /></a>Bradley Manning</div>
<p>No momento de sua prisão pelas autoridades do Exército, o Soldado de  Primeira Classe (SPC) e ex-analista de inteligência Bradley Manning, de  22 anos, exercia sua função na estação de Operações Avançadas da Base  Hammer a 64 km de Bagdá, no Iraque. Em menos de duas semanas, o fundador  do WikiLeaks foi convidado pelo FBI para “colaborar” com o caso. Nessa  situação, três participações em eventos públicos nos Estados Unidos, em  Nova York e Las Vegas, foram canceladas pelo boato e temor de detenção e  até mesmo de assassinato <strong>[2]</strong>. Durante quase um mês,  Julian permaneceu em localização desconhecida, até que no dia 21 de  junho retornou publicamente ao conceder uma entrevista ao <em>The Guardian</em> <strong>[3]</strong>, em Bruxelas.</p>
<p>Após um mês detido na base Arifjan no Kuwait, no dia 5 de julho  Manning foi legalmente acusado. Baseadas no código de conduta, as duas  acusações possuem no total 12 especificações, como acesso não-autorizado  na rede de computadores, cópia de mais de 150.000 documentos  diplomáticos dos Estados Unidos, cópia de uma apresentação secreta de  PowerPoint e cópia de vídeo classificado de uma operação militar em  Bagdá (2007). Caso for considerado culpado em tribunal, poderá  permanecer até 52 anos preso. Mas ainda o processo passará por mais  etapas, como investigação, e, somente após isso, ele será levado à corte  marcial.</p>
<p>Questionados sobre a relação com Adrian Lamo e a ética de revelar a identidade do militar, a revista <em>Wired</em> pouco esclareceu, limitando-se a dizer que Lamo era apenas uma fonte.</p>
<p><strong>III. Adrian Lamo e Kevin Poulsen, um caso à parte</strong></p>
<p><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/adrianlamo_kevinmittnick_kpaulson.png"><img style="border: 1px solid black; margin: 5px;" title="adrianlamo_kevinmittnick_kpaulson" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/adrianlamo_kevinmittnick_kpaulson.png" alt="adrianlamo_kevinmittnick_kpaulson" width="290" height="224" /></a>Conhecido na Internet como “Я. Adrian Lamo”, “Я. Adrian” ou apenas Adrian, durante um período de sua vida ele morou em <em>squats</em> [ocupações urbanas] e casas abandonadas, sendo apelidado de “hacker  sem-teto”. Mesmo hostilizado após a delação, Adrian continuou a  frequentar a organização hacker <a href="http://2600.com/" target="_blank">“2600: The Hacker Quartely”</a>.  Conhecida por sua tendência de esquerda e ativista, a “2600” é uma  antiga revista que realiza diversas conferências conhecidas como HOPE  (Hackers On Planet Earth – Hackers no Planeta Terra), a qual já contou  com a presença de Jello Biafra, ativista e ex-vocalista da banda punk  Dead Kennedys e, na edição deste ano, a “<a href="http://thenexthope.org/" target="_blank">The Next HOPE</a>” teve como convidado o fundador do WikiLeaks, Julian Assange <strong>[4]</strong>, o qual foi substituído por Jacob Appelbaum, membro do projeto de anonimato na Internet, Tor, e colaborador do WikiLeaks.</p>
<p>Nascido em 1981 nos Estados Unidos e criado na Colômbia, Adrian Lamo  foi responsável pela invasão de sites e redes de grandes empresas como  Microsoft, New York Times e Yahoo!, mas no mundo hacker é conhecido “por  ser de baixo nível [técnico], hacker inconsequente, com uma insaciável  vontade de autopromoção e atenção da mídia […]”, relata o jornalista  Gleen Greenwald <strong>[5]</strong>. Durante quase uma década, afirma o  jornalista, Lamo realizou ataques a diversos sites enquanto um colega  jornalista, em parceria, oferecia às empresas cooperação de Lamo.  Confirmado o acordo, o jornalista publicava a falha em sites de  segurança, promovendo assim a reputação de Lamo. Essa parceria continuou  mesmo depois de sua condenação em 2004, quando Lamo foi julgado culpado  pela invasão de sites e redes e selou um acordo com o FBI para  transferir a pena para prisão domiciliar.</p>
<p>Curiosamente, em fevereiro de 2009, por erro de um voluntário, uma  parte da lista de doadores do WikiLeaks tornou-se pública. O email de  Lamo constava entre eles e destinava US$ 30 ao site. Numa entrevista <strong>[6]</strong>,  Lamo disse que a doação havia sido feita em nome pessoal e não por  parte de sua empresa de segurança, a Reality Planning LLC – aberta em  2007 –, e ironicamente “agradeceu” a falta de atenção da equipe, mas  pontuou que isso não o impediria de continuar contribuindo. Ainda vale  notar que a sua página pessoal está hospedada no servidor ativista <a href="http://users.resist.ca/%7Eadrian/" target="_blank">Resist.ca</a> e, na entrevista com Greenwald, diz considerar-se de esquerda.</p>
<p>Kevin Poulsen, jornalista e parceiro em questão, foi condenado por  fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, em 1994, após ser delatado por  outro hacker-informante ao FBI. Ainda na época do julgamento de Lamo, o <em>modus operandi</em> da dupla levou a <em>MSNBC</em> a ser intimada a entregar emails e demais dados que pudessem revelar a  ligação entre os dois. Atualmente, Poulsen é editor sênior da revista <em>Wired</em> e autor das matérias sobre o caso de Bradley Manning.</p>
<p><strong>IV. As conversas entre Manning e Lamo</strong></p>
<p>As conversas online foram registradas pelo próprio Adrian Lamo e,  além do FBI, também foram enviadas para o seu parceiro na revista <em>Wired</em>,  o qual selecionou e publicou trechos – cerca de 25% da transcrição  total. Quando questionado sobre o grande corte, Poulsen afirmou que  dados sensíveis sobre a vida do soldado precisariam ser mantidos em  privado e que, da mesma forma, havia informações que poderiam colocar a  vida de inocentes em risco, isto é, de segurança nacional. Argumento  duvidável, pois certamente a exposição do vídeo <em>Assassinato Colateral</em> não colocou em risco a vida de pessoas, pelo contrário.</p>
<p>O caráter confessional das conversas foi obtido através de um  pressuposto falso, no qual Lamo deu a entender de que oferecia  confidência pela lei de proteção da Califórnia <strong>[7]</strong> e  também por ter sido uma autoridade religiosa – tática utilizada outrora  para negar ceder seu DNA através de uma amostra de seu sangue ao banco  de dados do governo dos Estados Unidos – e, por essa razão, obrigado a  manter sigilo. Utilizou-se desses artifícios para que Manning pudesse  acreditar que poderia confiar nele, pois estaria amparado juridicamente  sob dois aspectos, como fonte jornalística e uma confissão religiosa. E,  não com outras palavras, Manning disse-lhe: “eu não posso acreditar no  que estou confessando para você :’( ”.</p>
<p>Durante dias consecutivos, Lamo e Manning conversaram sobre falhas de  segurança, expectativas sobre a revelação das informações, o cotidiano  do soldado, crise de identidade, dentre outros assuntos. Sobre o início  do seu relacionamento com o WikiLeaks, o ex-analista da inteligência  aproximou-se ao observar o vazamento das mensagens do 11 de setembro de  2001 <strong>[8]</strong>, as quais pertenceriam a um banco de dados da  Agência de Segurança Nacional (National Security Agency &#8211; NSA) e, dessa  forma, sentiu-se confortável em ser um colaborador.</p>
<p>Sem êxito de comunicar-se através de emails criptografados com Lamo,  em 20 de maio de 2010 ocorre a primeira troca de mensagens pelo <acronym title="AOL (America Online) Instant Messenger">AIM</acronym> (mensageiro instantâneo da <acronym title="America Online">AOL</acronym>).</p>
<p><em>(1:58:31 PM) Manning: se você tivesse acesso sem precedente às  redes restritas 14 horas por dia, 7 dias por semana por mais de 8 meses,  o que você faria?</em></p>
<p>Ao longo das conversas, o soldado relatou o momento em que decidiu  tornar-se um denunciante. Ele contou que certa vez recebeu a tarefa de  investigar a origem de panfletos de insurgentes apreendidos com um grupo  de 15 detidos pela polícia federal iraquiana. Ao traduzir e interpretar  o conteúdo do panfleto, ele descobriu que nada mais eram que um  manifesto contra a corrupção do governo local – uma “crítica política  benigna” – e, ao levar a questão ao seu superior, foi dito para calar-se  e que sua função era dar assistência à polícia federal na detenção de  mais iraquianos.</p>
<p>Depois dessa ocorrência, Manning passou a ver a situação de forma  diferente e começou a questionar como as coisas funcionavam e a  investigar buscando a verdade, mas independente disso, no final das  contas, era obrigado a acatar tais decisões superiores. “Eu era  ativamente envolvido em alguma coisa em que eu era completamente  contra…”, desabafa. Isso o motivou a coletar documentos classificados  que revelassem os bastidores da guerra que, em suas próprias palavras,  não se tratava de uma luta entre mocinho e bandido.</p>
<p>Desde então, Lamo passa acusar Manning de espionagem. Para o soldado,  a possibilidade de ser um espião era incompatível com suas atitudes,  mas sim de ser um Whistleblower <strong>[9]</strong>:</p>
<p><em>Manning: Quero dizer, se eu fosse alguém mais malicioso, eu poderia ter vendido para a Rússia ou a China, e fazer dinheiro?<br />
Lamo: Por que não?<br />
Manning: porque é dado público, isso pertence ao domínio público. A  informação deve ser livre porque outro Estado apenas tiraria proveito da  informação… e tentaria obter alguma vantagem. […] Deveria ser um bem  público.</em></p>
<p>Ainda sobre isso, em outro momento, Lamo continua a duvidar das suas reais intenções:</p>
<p><em>Manning: eu não estou certo se eu seria considerado um tipo de  “hacker”, “cracker”, “hacktivista”, “vazador” ou o que… eu sou apenas  eu… de verdade […]<br />
Lamo: ou um espião <img src='http://blog.radiocampeche.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /><br />
Manning: eu não poderia ser um espião… Espiões não postariam coisas para o mundo ver<br />
Lamo: Por que? Wikileaks seria o disfarce perfeito. Eles postam o que não é útil e guardam o resto.</em></p>
<p>Em outro momento da conversa, Lamo questiona-o sobre seu plano:</p>
<p><em>Manning: bem, foi tudo encaminhado para o WL </em>[WikiLeaks]<em> e Deus sabe o que acontece agora. Espero discussão em todo o mundo,  debates e reformas. Senão… assim nós estamos condenados enquanto  espécie. Eu irei oficialmente desistir da sociedade que temos se nada  acontecer. A reação ao vídeo </em>[Assassinato Colateral]<em> me deu uma  imensa esperança… o iReport da CNN foi esmagado… o Twitter explodiu… as  pessoas que viram, sabiam que alguma coisa estava errada.</em></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">Diferente  da perspectiva de Manning, para o hacker e outros críticos, o WikiLeaks  passou a ser instrumentalizado por Julian Assange, com o objetivo de  autopromoção e de ter uma vida luxuosa através dos fundos da  organização. E, também, acusam-no de privar o público de informações de  maior relevância para comercializá-las com serviços de inteligência  estrangeiros. Em sua apresentação no The Next Hope, Jacob Appelbaum  argumentou que os editores do site não recebem salários e pelo fato do  financiamento de suas atividades dependerem em grande medida de  terceiros, como a Fundação Wau Holland, eles prestam conta da utilização  do dinheiro. E há uma grande lista de espera para a publicação das  informações, pois precisam passar pelo processo de análise e remoção de  rastros digitais.</p>
<p>Além dos questionamentos sobre suas intenções, Lamo também perguntou  se haveria outros soldados envolvidos, pois estaria pensando em  organizar uma “grande reunião” de pelo menos 3000 hackers do mundo e, em  tom de gracejo, perguntou-lhe se não haveria um coletivo local da  organização hacker 2600, em Bagdá. Apesar de conhecer  outro soldado com  conhecimento em segurança de computador, Manning disse que ninguém  “brincava” com as redes restritas.</p>
<div id="attachment_26973" style="width: 310px;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/armygaga.png"><img style="border: 1px solid black; margin: 5px;" title="armygaga" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/armygaga-300x172.png" alt="armygaga" width="300" height="172" /></a>Soldados dançam Lady Gaga</div>
<p>Os trechos das conversas renderam atenção nacional e internacional.  Aclamado por uns como denunciante-herói e, por outros, como  espião-traidor, a coleta de dados recebeu destaque na matéria “Wiki  Gaga” <strong>[10]</strong>, de <em>The Economist</em>. Carregando um  CD-RW (regravável) escrito “Lady Gaga” – cantora pop de grande sucesso  internacional –, o soldado ingressava ao posto de trabalho e, ao passar  do dia, substituía os hits pelos bits, das canções pops aos documentos  classificados. Sem nem mesmo esconder o CD, ninguém suspeitava da  atividade, uma vez que se tratava de uma prática comum entre os  soldados. Nada glamouroso [cheio de prestígio], porém simples e eficaz.</p>
<p>Quando perguntou ao “cara da NSA” se a rede local era monitorada para  encontrar atividade suspeita, o mesmo deu de ombros e disse que essa  não era a prioridade. “Então… foi uma pilhagem massiva de dados…  facilitada por inúmeros fatores… tanto fisicamente, tecnicamente e  culturalmente. O perfeito exemplo de como não fazer INFOSEC (Segurança  da Informação)”, analisou Manning sobre o próprio ato.</p>
<p>No entanto, a matéria ainda argumenta que toda a estrutura de  segurança e anonimato oferecida pela organização não foi capaz de  contornar o ponto crucial: a falha do próprio indivíduo, no caso, sua  confiança em alguém desconhecido. Assim, para <em>The Economist</em>, o site é tão robusto quanto os seres humanos que o utilizam.</p>
<p><strong>V. O plano de ataque e a sua execução</strong></p>
<p>Em março desse ano, o WikiLeaks revelou um documento do Centro de  Contrainteligência do Exército, do Departamento de Defesa:  “Wikileaks.org &#8211; Uma referência online para os Serviços Estrangeiros de  Inteligência, Insurgentes ou Grupos Terroristas?” <strong>[11]</strong>.  Classificado como secreto e datado de março de 2008, ele foi elaborado  pelo analista sênior de Cyber Contrainteligência, Michael D. Horvath,  onde o site é analisado como potencial ameaça à segurança dos Estados  Unidos.</p>
<p>Para Horvath, o WikiLeaks representa uma ameaça potencial de força de  proteção, contra-inteligência e segurança operacional (OPSEC, do  inglês) e de segurança da informação (INFOSEC, do inglês) para o  Exército dos Estados Unidos. A publicação de conteúdos sensíveis e  classificados poderia expor a segurança nacional para serviços  estrangeiros de segurança e inteligência, forças militares estrangeiras,  insurgentes e grupos terroristas. E ainda que os documentos revelados  sejam utilizados para propaganda, desinformação e fabricação de  informação contra os Estados Unidos.</p>
<p>Como exemplo, o autor discute e julga alguns vazamentos veiculados  pelo WikiLeaks. Um deles é sobre a tabela de equipamentos dos Estados  Unidos e das forças de Coalização no Iraque e no Afeganistão, disponível  a partir do vazamento de 2.000 páginas de documentos do Exército dos  EUA datados de abril de 2007. A partir desses dados, os membros da  equipe do site desenvolveram um banco de dados incorporando outras  informações públicas de forma que qualquer um que observasse os dados  poderia saber quantos itens, quais unidades possuem, o que eles fazem, o  preço estimado e assim formular suas próprias conclusões sobre as  estratégias militares e políticas e as suas implicações no que se refere  aos direitos humanos. Em sua avaliação, um serviço de inteligência  estrangeiro poderia fazer uso militar dessas informações e desenvolver  uma estratégia de ataque.</p>
<p>Além deste, outros documentos citados foram as prováveis violações do  tratado de utilização de armas químicas no Iraque, a batalha de  Fajullah e as violações dos direitos humanos na base de Guantânamo.</p>
<p>O autor afirma que em alguns casos a análise forense poderia  identificar a origem dos documentos vazados. Além dos rastros digitais,  seria possível investir na busca de padrões dos tipos de informações  reveladas, níveis de classificação da informação, perfis psicológicos e,  no caso de haver uma suposta fonte, a forma primitiva de omissão de  identidade poderia indicar o verdadeiro autor. No entanto, referente às  habilidades técnicas, o autor reconhece que a composição do banco de  dados, as ferramentas de construção do site e a transmissão segura de  informação são frutos da alta capacidade técnica e que a expansão e  desenvolvimento do site depende de recursos financeiros.</p>
<p>Como uma das conclusões, é assinalado que sites como o WikiLeaks têm a  confiança como o seu “centro de gravidade” e através do anonimato  protegem a identidade dos seus informantes. Dessa forma, a  identificação, acusação, condenação e exposição de pessoas que vazam  informação para o site poderiam minar e potencialmente destruir a sua  confiança e impedir que novos colaboradores se aproximem.</p>
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<div id="attachment_26981" style="width: 580px;"><a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/wikileaks2.png"><img title="wikileaks2" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/07/wikileaks2.png" alt="Plano para destruir WikiLeaks" width="570" height="109" /></a>Documento classificado de plano para destruir WikiLeaks vazado pelo próprio site</div>
<p>No momento do vazamento desse documento, a análise primária do  WikiLeaks era de que esse plano de minar e destruir a sua confiança  seria ou foi ineficiente, pois, até então, não havia ocorrido nenhuma  exposição. Até que dois meses mais tarde Bradley Manning foi delatado e  preso. Desse momento em diante, deu-se início a uma ampla campanha de  desinformação e ataques contra WikiLeaks e Julian Assange.</p>
<p>Talvez um dos exemplos mais caricatos e evidentes dessa campanha foi o surgimento do “Wikileaks Insider” <strong>[12]</strong>.  Um suposto membro da organização que revelaria os bastidores do projeto  através do quadro de mensagens do Cryptome – um site mantido desde 1996  por John Young, que rivaliza e compete pela audiência da revelação de  informações. Entre as muitas acusações está a de que Julian Assange  deixaria Manning à sua própria sorte, “jogado aos leões”, e de que teria  gasto uma parte expressiva do dinheiro em passagens, hotéis e viagens.  Enquanto isso, a revista <em>Wired</em> anunciava que WikiLeaks estava abandonado, inativo <strong>[13]</strong>,  mas por outro lado, discordava que a organização estaria gastando além  da conta, mas, muito pelo contrário, teria gasto pouco (US$ 38.000 de  US$ 500.000). O valor foi obtido oficialmente através da Fundação Wau  Holland. Em resposta, o “WikiLeaks Insider” exigiu uma auditoria pela  fundação e repetiu as velhas acusações.</p>
<p>Além da difamação, a inteligência dos Estados Unidos procurou Julian Assange para colaborar com o caso. No <em>The Next Hope</em>,  no dia anterior à apresentação do WikiLeaks, foi relatado que agentes  perguntaram sobre a sua presença e participação. Longe dali, na Europa,  Assange comentava o projeto com Chris Anderson, editor-chefe da <em>Wired</em>,  no evento TEDGlobal, em Oxford, na Inglaterra. Quando questionado sobre  a recepção dos milhares de documentos classificados, o australiano  respondeu que teriam publicado se tivessem recebido – sem dúvida –, pois  “a informação, que as organizações gastam dinheiro para esconder, é  geralmente importante para revelar” <strong>[14]</strong>.</p>
<p>Ainda nesse evento, Julian afirmou que não há acusações válidas para  prender Bradley Manning, pois se ele for o autor do vazamento do vídeo <em>Assassinato Colateral</em>,  trata-se então de uma denúncia de um massacre de civis. Por essa razão,  diz o australiano, sua prisão no Kuwait, longe da mídia e de  representação legal, é política.</p>
<p>Já nos Estados Unidos, em resposta ao delator, foram feitas camisetas com o slogan:  ”<em>Stop Snitching</em>” (Pare de dedurar [denunciar]) <strong>[15]</strong> e recomendado o uso durante dois grandes eventos de segurança hacker   nos Estados Unidos: Defcon e BlackHat. Os eventos contam com a possível   presença de Adrian Lamo e, se depender da mesma receptividade da   comunidade hacker da <strong>HOPE</strong>, não será bem vindo.</p>
<p>Desde junho, há um coletivo de apoio a <a href="http://www.bradleymanning.org/" target="_blank">Bradley Manning</a>. Para sua defesa, o WikiLeaks pretende recolher em doações um fundo de US$ 50.000.</p>
<p><strong>VI. As perspectivas de uma história ainda sem desfecho</strong></p>
<p>Ainda é desconhecida exatamente como e a razão do início do contato  entre Manning e Lamo, pois a única versão disponível é a que o próprio  delator fabricou. Mas, em três anos de atividade, esta foi a primeira  vez que uma fonte do WikiLeaks foi exposta. E, para inverter o resultado  do plano, é preciso assegurar que a estrutura técnica não foi  comprometida, isto é, que a identidade da fonte não foi revelada por uma  falha técnica, mas sim exclusivamente por erro humano, pela confiança  num desconhecido, de um, e a delação, de outro.</p>
<p>Longe dos boatos de abandono serem verdadeiros, de volta online, WikiLeaks publicou nesse domingo, 25, o <a href="http://wardiary.wikileaks.org/" target="_blank">Diário de Guerra do Afeganistão</a> (Afghan War Diary, em inglês), um documento que compila 91.000  relatórios de cobertura desta guerra (2004-20010). Segundo o sumário  elaborado pela organização, “os relatórios, embora escritos por soldados  e oficiais da inteligência, principalmente descrevendo as ações  militares letais envolvendo militarmente os Estados Unidos, também  incluem informações de inteligência, relatórios de encontros com  personalidades políticas e os detalhes relacionados” e, como precaução  requerida pela fonte, 15.000 relatórios (do total) tiveram a publicação  adiada. Em resposta <strong>[16]</strong>, a Casa Branca condenou o  vazamento e disse que ele pode colocar em risco a segurança nacional.  Nos próximos dias, os registros da Guerra devem pautar a mídia  internacional.</p>
<p>Quanto a prisão de Bradley Manning, ainda é necessário contextualizar  que esse é mais um processo contra um informante nos Estados Unidos.  Pois, desde um discurso em novembro de 2009 em que o advogado geral das  agências de inteligência, Robert S. Litt prometeu ações contra o  vazamento de informações nos próximos meses, a administração Obama  passou a processar supostos informantes com respaldo jurídico no Ato de  Espionagem – lei de 1917 para perseguir espiões –, numa política  sistemática contra a “cultura do vazamento”.</p>
<p>“Obama mudou algumas políticas em torno da transparência para melhor,  mas os órgãos governamentais responsáveis parecem ser resistentes à  mudança. Obama está mandando mensagens contraditórias, empurrando para  mais transparência enquanto é a administração mais agressiva em 20 anos  na repressão e perseguição dos denunciantes. Ele tem feito em 18 meses o  que Bush fez em 8 anos” <strong>[17]</strong>, afirmou Julian Assange durante debate em Oxford, Inglaterra.</p>
<p>Segundo uma matéria para o jornal New York Times <strong>[18]</strong>,  a administração Obama segue uma linha dura contra os vazamentos para a  imprensa. Nesta matéria, o conservador Gabriel Schoenfeld, membro sênior  do Instituto Hudson e autor do livro “Segredos necessários: segurança  nacional, a mídia, e a regra da lei”, comenta que o “sistema é infestado  de vazamentos” e sugere que “quando você pegar alguém, você deve fazer  dele um exemplo”.</p>
<p>Diante do processo por má conduta, o acusado de vazar <em>“Assassinato Colateral”</em> pode pegar até 52 anos. Por outro lado, os militares responsáveis pelo  massacre de civis observados no citado vídeo prosseguem sem acusações.</p>
<p>Ainda segundo WikiLeaks, na Guerra do Iraque, entre 2003-2009, 139  jornalistas foram mortos durante o trabalho. Pelo menos dois deles com a  conivência dos Estados Unidos. Um assassinato colateral.</p>
<p><strong>Notas</strong></p>
<p><strong>[1]</strong> <em>Open Government</em> é um conceito derivado de <em>open source</em> (código aberto), isto é, do público ter acesso público e irrestrito às   informações do governo. Podemos citar como referência de organizações o   Open Society Institute, de George Soros, e a Transparency  International.</p>
<p><strong>[2]</strong> A hipótese de assassinato foi mencionada por  Daniel  Allensberg, responsável pelo vazamento de documentos secretos do   Pentágono sobre a Guerra do Vietnã, em 1971.</p>
<p><strong>[3]</strong> “<em>WikiLeaks founder Julian Assange breaks cover but will avoid America</em>” &#8211; <a title="http://www.guardian.co.uk/media/2010/jun/21/wikileaks-founder-julian-assange-breaks-cover" rel="nofollow" href="http://www.guardian.co.uk/media/2010/jun/21/wikileaks-founder-julian-assange-breaks-cover">http://www.guardian.co.uk/media/2010/jun/21/wikileaks-founder-julian-assange-breaks-cover</a></p>
<p><strong>[4]</strong> <a title="http://thenexthope.org/2010/04/julian-assange-to-give-keynote-address-at-the-next-hope/" rel="nofollow" href="http://thenexthope.org/2010/04/julian-assange-to-give-keynote-address-at-the-next-hope/">http://thenexthope.org/2010/04/julian-assange-to-give-keynote-address-at-the-next-hope/</a></p>
<p><strong>[5]</strong> “<em>The strange and consequential case of Bradley Manning, Adrian Lamo and WikiLeaks</em>” <a title="http://www.salon.com/news/opinion/glenn_greenwald/2010/06/18/wikileaks/index.html" rel="nofollow" href="http://www.salon.com/news/opinion/glenn_greenwald/2010/06/18/wikileaks/index.html">http://www.salon.com/news/opinion/glenn_greenwald/2010/06/18/wikileaks/index.html</a></p>
<p><strong>[6]</strong> Sobre o vazamento da lista de doadores do WikiLeaks: <a title="http://www.securitysoftwarezone.com/wikileaks-security-gaffe-commented-by-adrian-lamo-review2046-1.html" rel="nofollow" href="http://www.securitysoftwarezone.com/wikileaks-security-gaffe-commented-by-adrian-lamo-review2046-1.html">http://www.securitysoftwarezone.com/wikileaks-security-gaffe-commented-by-adrian-lamo-review2046-1.html</a></p>
<p><strong>[7]</strong> Trata-se de uma <em>Shield Law</em> [lei escudo], a qual protege as fontes dos jornalistas de serem reveladas.</p>
<p><strong>[8]</strong> O WikiLeaks tornou público meio milhão de   mensagens de texto (SMS) interceptadas durante os ataques de 11 de   setembro em 2001, em Nova Iorque e Washington. É possível acessá-las  no   site: <a title="http://911.wikileaks.org/" rel="nofollow" href="http://911.wikileaks.org/">http://911.wikileaks.org/</a></p>
<p><strong>[9]</strong> <em>Whistle-blowers</em>: <em>whistle</em> (apito) <em>blowers</em> (assopradores); assopradores de apito, o termo deriva da prática da   polícia inglesa, de quando um oficial avista um crime, ele apita para   alertar outros policiais e cidadãos sobre o perigo.</p>
<p><strong>[10]</strong> Wiki Gaga,  <em>The Economist</em>, 10 de junho de 2010 &#8211; <a title="http://www.economist.com/node/16335810?story_id=16335810" rel="nofollow" href="http://www.economist.com/node/16335810?story_id=16335810">http://www.economist.com/node/16335810?story_id=16335810</a></p>
<p><strong>[11]</strong> “Wikileaks.org &#8211; An Online Reference to Foreign Intelligence Services, Insurgents, or Terrorist Groups?” <a title="http://wikileaks.org/wiki/U.S._Intelligence_planned_to_destroy_WikiLeaks,_18_Mar_2008" rel="nofollow" href="http://wikileaks.org/wiki/U.S._Intelligence_planned_to_destroy_WikiLeaks,_18_Mar_2008">http://wikileaks.org/wiki/U.S._Intelligence_planned_to_destroy_WikiLeaks,_18_Mar_2008</a></p>
<p><strong>[12]</strong> Todas as mensagens de “WikiLeaks insider” &#8211; <a title="http://cryptome.org/0001/wikileaks-mess.htm" rel="nofollow" href="http://cryptome.org/0001/wikileaks-mess.htm">http://cryptome.org/0001/wikileaks-mess.htm</a></p>
<p><strong>[13]</strong> Kim Zetter, 13/07/2010, “Wikileaks Cash Flows In, Drips Out” <a title="http://www.wired.com/threatlevel/2010/07/wikileaks-funding/" rel="nofollow" href="http://www.wired.com/threatlevel/2010/07/wikileaks-funding/">http://www.wired.com/threatlevel/2010/07/wikileaks-funding/</a></p>
<p><strong>[14]</strong> “<em>Surprise speaker at TEDGlobal: Julian Assange in Session 12</em>”, 16/07/2010, <a title="http://blog.ted.com/2010/07/surprise_speake.php" rel="nofollow" href="http://blog.ted.com/2010/07/surprise_speake.php">http://blog.ted.com/2010/07/surprise_speake.php</a></p>
<p><strong>[15]</strong> “<em>Stop Snitching nerds</em>” <a title="http://www.stopsnitchingnerds.blogspot.com/" rel="nofollow" href="http://www.stopsnitchingnerds.blogspot.com/">http://www.stopsnitchingnerds.blogspot.com/</a></p>
<p><strong>[16]</strong> “<em>Julian Assange of Wikileaks Surfaces in Oxford</em>”, 16/07/2010 <a title="http://blogs.forbes.com/firewall/2010/07/16/julien-assange-of-wikileaks-surfaces-in-oxford/" rel="nofollow" href="http://blogs.forbes.com/firewall/2010/07/16/julien-assange-of-wikileaks-surfaces-in-oxford/">http://blogs.forbes.com/firewall/2010/07/16/julien-assange-of-wikileaks-surfaces-in-oxford/</a></div>
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		<title>DESPEJO ILEGAL EM IMBITUBA</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 01:08:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>aline</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Imbituba, SC, sul do Brasil, 28 de julho de 2010
O dia na cidade de Imbituba foi assustador! Antes das 6 da manhã a Polícia Militar de Santa Catarina com tropa de choque, cavalaria, batedores e outros agrupamentos militares, um oficial de justiça atormentado, capangas e peões contratados invadiram a casa da família do agricultor Antero, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Imbituba, SC, sul do Brasil, 28 de julho de 2010</p>
<p>O dia na cidade de Imbituba foi assustador! Antes das 6 da manhã a Polícia Militar de Santa Catarina com tropa de choque, cavalaria, batedores e outros agrupamentos militares, um oficial de justiça atormentado, capangas e peões contratados invadiram a casa da família do agricultor Antero, com um mandado de despejo em mãos. Houve negociação, sua casa foi desmontada e retirada do local. Todos os bichos de criação da família (cavalos, vacas, porcos, galinhas e coelhos) e a própria família contam apenas com a solidariedade de terceiros para terem um teto pelos próximos dias.<br />
<a rel="attachment wp-att-921" href="http://blog.radiocampeche.com.br/2010/08/despejo-ilegal-em-imbituba/imbituba/"><img class="alignleft size-medium wp-image-921" title="imbituba" src="http://blog.radiocampeche.com.br/wp-content/uploads/2010/08/imbituba-300x200.jpg" alt="imbituba" width="300" height="200" /></a>Já, na casa do agricultor Zé Farias não teve negociação: “vamos derrubar e é agora”, disse um policial ao agricultor. E assim fizeram. Passaram por cima de sua casa com o trator! No local já viveram mais de três gerações da mesma família. Ainda foram derrubadas mais três casas de outros agricultores.</p>
<p>E o pior ainda está por vir, conforme a decisão de uma juíza da vara federal na cidade de Laguna, serão despejados de 250 hectares os agricultores da Associação Comunitária Rural de Imbituba e mais de 50 famílias que formam a comunidade da Portelinha, e que pretendem resistir.</p>
<p>O despejo foi realizado mesmo com a tramitação de um Pedido de Suspensão de Liminar e Sentença protocolado no Superior Tribunal de Justiça que marcou audiência para a próxima segunda-feira. Se for cassado o Mandado de Despejo depois de feito, como ficará a situação?<br />
Os Movimentos Sociais solidários com o povo de Imbituba e os agricultores continuam mobilizados, e a assessoria jurídica popular acredita na reversão na decisão. O direito de permanecer na área é concedido aos agricultores por Decreto Federal de 2007, que dá o direito às terras para as Comunidades Tradicionais. Mas como vemos sempre, os direitos só a luta faz valer!</p>
<p>Fonte: <a href="http://enovasproducoes.blogspot.com" target="_blank">enovasproducoes.blogspot.com</a></p>
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		<title>Segue a luta pelo Bar do Chico</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 00:24:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>debora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agenda]]></category>
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		<description><![CDATA[


Segue a luta pelo Bar do Chico
Por Elaine Tavares &#8211; jornalista
Novo ato político acontece no domingo, dia 8 de agosto
Era a metade dos anos 80, a democracia brasileira andava com pernas bambas, a vida saía da escuridão, mas as coisas ainda estavam muito confusas. A luta popular conseguia se fazer às claras, mas persistia o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table style="text-align: justify;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top"><strong><span style="color: #333399;">Segue a luta pelo Bar do Chico</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #333399;">Por Elaine Tavares &#8211; jornalista</span></strong></p>
<p><em><span style="color: #333399;">Novo ato político acontece no domingo, dia 8 de agosto</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333399;">Era a metade dos anos 80, a democracia brasileira andava com pernas bambas, a vida saía da escuridão, mas as coisas ainda estavam muito confusas. A luta popular conseguia se fazer às claras, mas persistia o medo, assim como o preconceito. Para quem atuava no movimento de esquerda em Florianópolis havia um lugar onde era possível se encontrar e sentir-se em casa. Era um pequeno barraco de madeira na praia do Campeche, que havia deixado de ser uma cabana de pesca para virar um bar. Ali, nas tardes de domingo, o povo se reunia para conversar, discutir política ou apenas tomar sol. Nas noites de inverno, ao redor da fogueira, o povo também se juntava para dançar e celebrar a vida.<span id="more-916"></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333399;">Para quem era da comunidade, o lugar igualmente passou a ser uma espécie de porto seguro. Não havia nada na praia e a cabana de madeira passou a ser uma referência. Como o seu Chico, que cuidava do lugar, era pessoa conhecida no Campeche, de família tradicional, o bar foi virando espaço comunitário também. Ali eram celebrados os aniversários, as festas do bairro, por ali passava a Dona Nicota, a bandeira do divino, a folia de reis, e ali terminava a alegria do carnaval. Localizado ao lado da capela, no coração histórico do Campeche, o Bar do Chico rapidamente se entranhou no cotidiano. Não era só um bar, era lugar do povo campechiano e de boa parte dos militantes populares da cidade. Território liberado para a festa e para a política. Não foram poucas as lutas e ações populares que nasceram das conversas ali naquele trecho de areia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333399;">No início dos anos 90 um filho do Campeche se elegeu vereador. Lázaro Daniel. Não por acaso, filho do seu Chico, o dono do bar tombado agora em 2010. E este foi um vereador que muito incomodou ao poder. Na época, a cidade fervilhava na luta pela moradia e eram constantes as ocupações de área urbana e as mobilizações populares. Lázaro estava metido nesta briga até o pescoço.  Sua voz na Câmara de Vereadores estava a serviço do povo em luta e ninguém conseguiu dobrá-lo. Foi aí que começou a perseguição ao Bar do Chico. Aquele era um lugar que subvertia a ordem, que acolhia os “malditos”, que servia de espaço para a organização comunitária. E, não bastasse isso, era do pai do Lázaro. O poder encontrava um ponto por onde atacar o vereador.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333399;">Desde aí, a batalha foi grande. Longos anos de discussão na justiça e neste meio tempo, a comunidade foi consolidando o espaço como o seu lugar. O Bar do Chico virou patrimônio cultural, assim como o espectro de Saint Exupéry ou a capela São Sebastião. Já não era só um bar, era parte da alma campechiana. Tanto que a comunidade entrou com um processo de tombamento para o bar. Daí soar muito estranho o argumento do juiz Hélio do Valle Pereira ao dizer que o povo do Campeche não tinha se importado com o processo. Ora, pedir o tombamento como patrimônio histórico imaterial não é se importar?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333399;">Nos últimos anos o Campeche tem sido a ponta de lança na luta por um Plano Diretor que não seja predador, que respeite o ambiente, que se faça em harmonia com os recursos naturais. E o Campeche foi além, organizou seu povo e construiu seu próprio plano, o qual apresentou ao poder público. Os governantes se fizeram surdos, inventaram outros planos e o Campeche lutou.  Agora, na era Dário, aconteceu o Plano Diretor Participativo e o Campeche de novo se organizou, melhorou seu plano e tem lutado para fazer valer sua palavra. É um bairro que tem tradição de luta, que mantém movimentos articulados e atuantes, que incomoda demais o poder. Por isso era preciso quebrar a espinha desta gente. Nada melhor então do que atacar um velho de mais de 80 anos, que teve a ousadia de colocar no mundo alguém como Lázaro e ainda criar um espaço onde o povo pode se organizar e conspirar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333399;">É por isso que as pessoas que vivem no Campeche e que militam nos movimentos da cidade estão irmanadas na luta pela reconstrução do Bar do Chico. A pequena cabana de madeira foi derrubada numa manhã fria de julho, sem aviso, sem nada. Vieram os homens da Comcap, arrombaram a porta, tiraram as coisas de dentro e destruíram o lugar. Estraçalharam parte da cultura do bairro, pisaram na memória, destroçaram o patrimônio das gentes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333399;">Mas esse crime cultural não ficará sem resposta. Uma delas já foi dada. Num ato público realizado sábado, dia 24 de julho, o velho bar ressurgiu numa obra de arte produzida pelo artesão Paulo Renato Venuto. Um gesto poético, simbólico, que serviu para impulsionar outras ações e idéias. A comunidade quer de volta o mesmo bar, concreto, real. Por isso, no último dia 31 o grupo de mobilização pela reconstrução do Bar do Chico esteve reunido, planejando ações para que o velho espaço comunitário possa ressurgir dos escombros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333399;">Duas frentes de luta foram abertas. Uma delas será na justiça. Como estava em andamento o processo pelo tombamento do lugar, a Associação dos Moradores do Campeche vai dar seguimento ao pleito, exigindo, portanto, a reconstrução. A outra é política e de ação direta do povo. Uma nova manifestação está sendo organizada para </span><strong><span style="color: #333399;">o domingo, dia 8 de agosto, às 10h, com partida dos escombros do Bar do Chico</span></strong><span style="color: #333399;">. A comunidade mobilizada fará uma caminhada, pela praia, até um empreendimento imobiliário (</span><em><span style="color: #333399;">Essence Life Residence) </span></em><span style="color: #333399;">que está sendo erguido nas dunas do Campeche. Vão protestar contra essa invasão e exigir da justiça o mesmo tratamento que deu ao casebre de madeira que era o Bar do Chico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333399;">O povo do Campeche discutiu e decidiu que se a cidade de Florianópolis é conhecida pela alcunha do “já teve”, por conta de já ter deixado sumir coisas importantes e históricas, como o Miramar, o Expresso, o Grupo Sul, o mesmo não vai se dar ali no bairro. As gentes não aceitam conviver com a idéia de que o bar do Chico não existirá mais. E vão reconstruir. Se quem mandou derrubar o bar achou que iria quebrar a espinha do Campeche, se enganou. Aqui vive uma gente-peixe, mágica, feita de areia, mar e sol. Uma espinha se quebra, outra vem, mais forte, mais viva&#8230;</span></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>ALERTA GERAL EM IMBITUBA: juíza pede à PM para despejar agricultores</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 20:31:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Imbutuba]]></category>
		<category><![CDATA[reintegração de posse]]></category>
		<category><![CDATA[violação de direitos]]></category>

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		<description><![CDATA[Originalmente publicado em imbitubaurgente.blogspot.com 

Os humildes agricultores dos Areais da Ribanceira,  muitos com idade entre 80 e 90 anos, cujas famílias cultivam aquelas  terras há mais de 100 anos, estão em estado de alerta: a Justiça Federal  de Laguna pediu à Polícia Militar de Santa Catarina que execute o  despejo dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Originalmente publicado em <a title="Imbituba Urgente" href="Imbituba Urgente" target="_blank">imbitubaurgente.blogspot.com </a></p>
<div style="clear: both; text-align: justify;"><a style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;" href="http://1.bp.blogspot.com/_2Bhns4ppsjw/TEmXdCNdxII/AAAAAAAAAD8/Aj5UbnBpAW8/s1600/MORDA%C3%87A+IMBITUBA.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_2Bhns4ppsjw/TEmXdCNdxII/AAAAAAAAAD8/Aj5UbnBpAW8/s320/MORDA%C3%87A+IMBITUBA.jpg" border="0" alt="" width="320" height="320" /></a></div>
<div style="text-align: justify;"><span>Os humildes agricultores dos Areais da Ribanceira,  muitos com idade entre 80 e 90 anos, cujas famílias cultivam aquelas  terras há mais de 100 anos, estão em estado de alerta: a Justiça Federal  de Laguna pediu à Polícia Militar de Santa Catarina que execute o  despejo dos produtores, com base numa ação de reintegração de posse. </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia,&quot;Times New Roman&quot;,serif;">A sentença está nas mãos da  Companhia da Polícia Militar de Imbituba, a mesma que promoveu a prisão  arbitrária de três líderes da comunidade tradicional recentemente. No  entanto, os policiais terão que receber ordens diretas do governador  Leonel Pavan (PSDB) para utilização de força, assim como do Núcleo de  Gerenciamento de Crise, órgão interno da PM que administra situações de  conflitos coletivos.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia,&quot;Times New Roman&quot;,serif;">A cada  dia cresce a mobilização envolvendo entidades e lideranças políticas  para evitar que mais esse atentado seja cometido contra a comunidade  tradicional de Imbituba. </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia,&quot;Times New Roman&quot;,serif;">O Grupo  Votorantim é um dos mais interessados no despejo. Ele é adquirente de  uma área que pertencia à União, foi desapropriada na década de 1970 para  construção de um polo petroquímico, que não vingou, e foi revendida  entre grupos econômicos. Originalmente, as terras sempre pertenceram às  antigas famílias, que receberam indenizações irrisórias ou, em grande  parte, sequer foram pagas.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia,&quot;Times New Roman&quot;,serif;">A  Votorantim está construindo uma cimenteira. Na semana passada, a empresa  foi flagrada fazendo extração ilegal de areia em área de preservação  permanente. Apesar de denúncia, não houve qualquer ação por parte da  polícia e do Judiciário.</span></div>
<p><span style="font-family: Georgia,&quot;Times New Roman&quot;,serif;"></span></p>
<div style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;,sans-serif;">EM VIGÍLIA</span></strong></div>
<p><span style="font-family: Georgia,&quot;Times New Roman&quot;,serif;"></span></p>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia,&quot;Times New Roman&quot;,serif;">Além do cultivo de mandioca  para sobrevivência, a terra representa a identidade cultural dessas  famílias – e, por extensão, do próprio povo de Imbituba, que tem  características similares. Essa comunidade se enquadra no mesmo perfil  dos quilombolas e indígenas; portanto, deveria estar sendo protegida por  lei e reconhecida, por primeiro, pelo governo do Estado, que em tese é o  gestor dos interesses do povo catarinense.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia,&quot;Times New Roman&quot;,serif;">O governador Leonel Pavan  chegou a declarar, através do Twitter, que apoiava os agricultores de  Imbituba, “como também todos os agricultores de Santa Catarina”, sem  demonstrar uma preocupação objetiva com a situação neste município. </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia,&quot;Times New Roman&quot;,serif;">Os grupos econômicos ficam  mais ricos desta forma, expulsando famílias humildes e escudando-se em  governos e em políticos que atuam contra o próprio povo que deveriam  representar. Quando não agem frontalmente contra a população, muitos  políticos preferem a omissão, que acaba favorecendo a gana especulativa  de empresários cujo compromisso único é com o lucro, em detrimento da  população e do meio ambiente.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span>Os parlamentares da Comissão de Direitos Humanos da  Assembleia Legislativa visitaram a área e se mostraram convictos da  legitimidade da luta empreendida pela Associação dos Agricultores dos  Areais da Ribanceira (Acordi).</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span>Entidades, pesquisadores, estudantes e voluntários  estão multiplicando uma corrente de solidariedade que se estende a todo o  Brasil. </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia,&quot;Times New Roman&quot;,serif;">Qualquer  arbitrariedade envolvendo esta comunidade será imediatamente repudiada  com a mesma intensidade que as prisões ilegais cometidas contra as  lideranças da Acordi. </span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia,&quot;Times New Roman&quot;,serif;">De  quinta para sexta-feira (23), quando a ordem de despejo foi solicitada à  PM, aumentou a vigília em várias regiões de Santa Catarina para  assegurar a integridade das famílias, que apenas lutam para continuar a  produzir seu pedaço de chão e manter a identidade que herdaram de seus  antepassados.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia,&quot;Times New Roman&quot;,serif;">É o povo  e a História dos catarinenses que estão sendo ameaçados. </span></div>
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		<title>Reativada Associação Cultural Comunitária Cidadania de Fraiburgo</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 16:38:07 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Aconteceu no dia 09/07/2010 a assembléia que  reativou a Associação Cultural Comunitária Cidadania de Fraiburgo, o  local foi o Centro de Formação Profissional – CEPROFF, a assembléia  contou com a presença de mais de 60 pessoas representando 15  organizações sociais. O objetivo central da Assembléia foi à reativação  da Associação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aconteceu no dia 09/07/2010 a assembléia que  reativou a Associação Cultural Comunitária Cidadania de Fraiburgo, o  local foi o Centro de Formação Profissional – CEPROFF, a assembléia  contou com a presença de mais de 60 pessoas representando 15  organizações sociais. O objetivo central da Assembléia foi à reativação  da Associação Cultural Comunitária Cidadania de Fraiburgo, como primeiro  passo, para a reconstrução da rádio Comunitária Cidadania, que já  operou em Fraiburgo em anos anteriores. Veja as fotos clicando no link: <a rel="nofollow" href="http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=11063662060312871510&amp;aid=1278740994" target="_blank">http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=11063662060312871510&amp;aid=1278740994</a></p>
<p>Leia matéria na íntegra: <a rel="nofollow" href="http://www.agecon.org.br/comentarios/Comentario.asp?cod=1020" target="_blank">http://www.agecon.org.br/comentarios/Comentario.asp?cod=</a></p>
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		<title>Recomeço dos protestos contra a Tarifa de ônibus!</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 12:01:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depois de um intervalo para reorganização, os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus recomeçam. Isto acontece depois de uma pequena insurreição que ocorreu de forma espontânea no horário de fim de tarde na plataforma Cdo TICEN: quem já esperou ônibus neste horário ali sabe que é um inferno&#8230;
Em solidariedade com a população, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de um intervalo para reorganização, os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus recomeçam. Isto acontece depois de uma pequena insurreição que ocorreu de forma espontânea no horário de fim de tarde na plataforma Cdo TICEN: quem já esperou ônibus neste horário ali sabe que é um inferno&#8230;</p>
<p>Em solidariedade com a população, que não aguenta mais pagar caro para ser tratada como gado confinado em veículos de transporte coletivo, que desconfia dos mais de 500 mil reais dados como subsídio da prefeitura para as empresas todo o mês, que acha estranho uma cidade na qual é mais jogo andar de carro do que de ônibus (no que diz respeito aos custos), a Frente Únicacontra o Aumento da Tarifa retorna as ruas. A programação sobre as atividades est´abaixo, e mais informações podem ser obtidas em <a title="Frente Única" href="lataofloripa.libertar.org" target="_blank">lataofloripa.libertar.org</a></p>
<p><strong>QUINTA (08/07)</strong>:<br />
<strong>15h.</strong> – Reunião no chafariz do TICEN/ Atividade  cultural.<br />
<strong>17h</strong>. – Encontro na plataforma C (onde aconteceu a  manifestação 5ªf passada) com intuito de recolher abaixo-assinados e ter  uma aproximação com a população.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong><br />
SEXTA (09/07)</strong>:<strong></strong></p>
<p><strong>16h.</strong> – Reunião em São José, na Praça do Melão.  (Levem seus materiais artísticos!)</p>
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		<title>Crônica de um Mandado de Despejo</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 13:37:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>aline</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Pepe Pereira dos Santos, Leandro Monteiro Dal Bó e grupo de solidariedade às comunidades tradicionais de Imbituba
Tarde de uma quinta-feira, véspera de jogo do Brasil na copa da África. Em Imbituba, sul de Santa Catarina, sul do Brasil, o que está em campo no sítio do Sr. Antero Francisco Cardoso na Volta da Taboa, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Pepe Pereira dos Santos, Leandro Monteiro Dal Bó e grupo de solidariedade às comunidades tradicionais de Imbituba</em></p>
<p>Tarde de uma quinta-feira, véspera de jogo do Brasil na copa da África. Em Imbituba, sul de Santa Catarina, sul do Brasil, o que está em campo no sítio do Sr. Antero Francisco Cardoso na Volta da Taboa, nos Areais da Ribanceira, entrada da cidade, é outra escalação. Perú, cabras, bois, cavalos, galinhas, jegues, cachorros, universitários, sindicalistas, amigos, parentes, ativistas do MST, todos contra o dilúvio de uma ordem de despejo requerida pela justiça.</p>
<p>A ordem judicial é contra agricultores tradicionais de uma área de 240 hectares. Aqui existe a ACORDI, Associação Comunitária Rural de Imbituba. Essa verdadeira Arca de Noé, que é a pequena propriedade do Seu Antero, de 3 hectares, já sobreviveu a outra tentativa de despejo a  4 anos atrás, quando a família teve a casa queimada por jagunços do que se dizia proprietário destas terras. Terras há décadas cultivadas por cerca de 80 famílias que têm como principal atividade, o plantio e o beneficiamento da mandioca. <span id="more-781"></span></p>
<p>Portanto, a resistência a esta nova tentativa de despejo faz com que a Dona Aurina Abreu, esposa de Seu Antero, esteja com os nervos bastante abalados. Temerosa dos desfechos dos acontecimentos, ela saúda e cumprimenta com certo alívio a chegada de cada um que vem para se somar ao pequeno grupo de solidariedade. Entre estes está Rui, ex-sindicalista, militante da brigada urbana Mitico do MST, morador da região. Preso arbitrariamente enquanto ajudava na organização da ACORDI, juntamente com a atual presidente da associação Marlene Borges e o bacharel em direito e agricultor Altair Lavratti, membro da direção estadual do MST.</p>
<p>Foram presos e algemados, acusados de formação de quadrilha e de estarem organizando invasão das terras que já são ocupadas por esses moradores há décadas. Essa prisão, na época, foi contestada por todos, inclusive por setores da própria polícia de SC e Federal em notas oficiais, publicadas nos veículos de comunicação, com repercussão nacional e mobilizações de várias organizações em defesa do direito dos presos e da comunidade tradicional local. Depois a justiça veio a questionar as prisões. Hoje todos os presos abriram processos contra o Estado, pedindo reparação. Vale frisar que Marlene, a presidente da ACORDI, está grávida; gravidez de risco, sabidamente. Foi presa em sua residência às 6 da madrugada em uma operação de guerra montada pela polícia que cercou sua casa acompanhada por uma equipe da RBS.</p>
<p>Difícil reparar os traumas de um evento dessa natureza, magnitude e violência. Os presos ficaram incomunicáveis durante 12 horas em locais não sabidos pelos familiares e advogados, violando flagrantemente as leis criminais e a própria Constituição. É, portanto, explicável a expectativa desse pequeno grupo que se reúne em solidariedade ao Seu Antero nessa véspera de dia de jogo da Seleção de futebol Brasileira na copa do mundo. Aqui o jogo dos adversários é duro. E pelos comentários, está prestes a acontecer.</p>
<p>O mandado de despejo já foi expedido. Os moradores temem que tais mandados sejam executados após a Sétima Feira da Mandioca realizada em Imbituba na sede da ACORDI nos dias 24 a 27 de junho de 2010, no fim de semana último. Evento que reuniu milhares de visitantes vindos da região de Imbituba, de outros municípios, de outros estados e até de outros países. Autoridades estaduais e federais. As autoridades locais estiveram presentes com apenas o secretário municipal de agricultura. Parece que estas estão no time dos adversários. A elite local pretende que no espaço aonde vivem os agricultores, que dali tiram seu sustento, seja construída uma fábrica de cimento da Votorantim. Além de empreendimentos imobiliários de alto padrão. As terras, que são originalmente da União foram negociadas de formas suspeitas. Localizam-se entre o mar e a BR-101. O que atiça a cobiça e a pressão legal e ilegal para que os moradores e agricultores abandonem suas terras.</p>
<p>Final de tarde, quase noite. A expectativa continua no grupo de solidariedade. A noite vai ser longa na casa do Seu Antero. Muitos convidados ficarão para dormir. O temor é que o despejo ocorra enquanto todos estão com a atenção voltada para a copa. Amanhã às 11 horas, horário local, a Seleção Brasileira entra em campo. Aqui nas Areias da Ribanceira, Seu Antero já está há muito tempo neste campo, neste jogo e para ele e a Dona Aurina, essa é mais uma jogada, mas a expectativa é grande. A diferença é que ela traz o medo da perda do seu espaço de vida.</p>
<p>Enquanto todos os olhares do mundo se voltam para a copa do mundo na África do Sul, em Imbituba, Santa Catarina, sul doBrasil, o mundo de dezenas de famílias pode acabar. Aqui o resultado do jogo é mais arriscado. É tudo ou nada. Como final de campeonato, para uma linda região, uma comunidade tradicional, expulsa do campo, fica fora de jogo como milhões de excluídos da terra. A terra sem estes guardiões tem o seu meio ambiente ameaçado. O cartão do juiz não é o vermelho. Parece mais o verde dos dólares que move os interesses nesta região portuária. A “Arca de Noé” de Seu Antero é todo um modo de vida que pode ser levado pelo dilúvio dos interesses do mercado.</p>
<p>Sexta-feira, 2 de julho. O grupo está na expectativa de que o caso se resolva em favor da maioria comunitária não dos interesses da minoria especulativa. A Seleção Brasileira foi derrotada e volta para casa, mas o povo continua em luta e permanece em resistência.</p>
<p>Galeria de Imagens: http://picasaweb.google.com.br/leandro.db/ImbitubaCronicaDeUmMandadoDeDespejo</p>
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