Uma das referências para a busca de informações na internet hoje, o Google também tem sua política de manutenção de dados pessoais. Como o uso desta ferramenta é comum a quase todas as pessoas que utilizam a internet, inclusive aquelas que residem no sul da Ilha, acreditamos ser importante entrarmos em contato com esta discussão.

Do sítio www.riseup.net

Boletim de Fevereiro de 2010
Edição especial sobre Google
Edição especial sobre Google
Conteúdo:

* Google: horripilante e mau
* Como proteger sua privacidade na rede

Google: horripilante e mau
————————–

O lema do Google “don’t be evil” (em português, “não seja mau”) tem sido
a chave para o sucesso da empresa. No ano 2000, Google era a única
ferramenta de busca que não privilegiava anunciantes nos seus
resultados, um fator significativo para seu rápido crescimento. Talvez o
novo lema do Google deveria ser “don’t be creepy” (ou “não seja
horripilante”). Recentemente, o diretor executivo Eric Schmidt disse que
o Google está “tentando não cruzar o que nós chamamos da linha do
horror” quando o assunto é a coleta de dados pessoais [1].

Entretanto, Eric Schmidt não perdeu tempo em cruzar a tal linha
horripilante quando, em dezembro, disse em uma entrevista que “se tem
alguma coisa que você não gostaria que os outros soubessem, talvez você
nem a deveria estar fazendo”. Em outras palavras, o cabeça da empresa
com a maior quantidade de dados de vigilância do mundo disse que se você
é inocente, não deveria ter nada a esconder. Como muitos devem ter
notado, a afirmação de Schmidt é hipócrita e perturbadora [2][3]. A sua
lógica é próxima da alegação totalitária de que se você quer liberdade
de expressão, é prudente não falar nada controverso ou comprometedor.

O comentário de Eric Schmidt é particularmente problemático à luz da
recente mudança de política do Google. Em março de 2009, Google reverteu
sua política de longa data contra o controle sobre o comportamento na
internet[4]. Agora, a empresa rastreia o comportamento de usuários da
internet a fim de mostrar-lhes anúncios mais focados nos seus
interesses. Em fevereiro de 2010, o jornal estado-unidense Washington
Post revelou que o Google mais uma vez reverteu sua antiga política ao
celebrar uma parceria de compartilhamento de informações com o NSA (o
órgão de espionagem eletrônica super secreto do governo estado-unidense)
visando o combate de “ciber-ataques” [5].

Em ambos os casos, nos é dito para que não nos preocupemos porque o
Google irá apenas compartilhar dados que foram “anonimizados” (isto é,
informações pessoais identificáveis são removidas). Mas há razões de
sobra para nos alarmarmos. Pesquisas recentes tem mostrado como sítios
de relacionamento e redes sociais vazam grande quantidade de informações
pessoais para os seus anunciantes [6] e como é excepcionalmente difícil
criar uma lista de dados que não possa ser “des-anonimizada” [7][8][9].

Na verdade, o departamento de defesa dos Estados Unidos tem uma nova
iniciativa baseada exatamente neste princípio [10]. Chamada de “DNA
digital”, o objetivo é desenvolver um banco de dados digital semelhante
ao banco de dados de DNA mantido por muitos governos do mundo. Mais
precisamente, o objetivo é identificar indivíduos particulares a partir
de dados tidos como “anonimizados” – através dos vestígios digitais que
acabamos deixando toda vez que usamos o computador.

Afora isso tudo, o Google continua assegurando a seus usuários que não
há nada com o que se preocupar. Afinal, se você tem tempo sobrando, pode
usar o painel de controle do Google (Google Dashboard) para ajustar um
complexo conjunto de configurações de privacidade e auto-proteção. O
problema é que o painel de controle do Google se aplica apenas para
dados diretamente ligados a uma conta Google e ignora todas as outras
maneiras indiretas pelas quais o Google recolhe seus dados, que são
facilmente des-anonimizáveis. Por exemplo, ele não te permite remover os
dados de localização que o Google rastreia toda vez que você envia uma
mensagem para um endereço Gmail.

Google quer nossa confiança. Nos pedem para darmos fé ao mágico por trás
da cortina que controla o maior acervo de dados que o mundo já conheceu.
O novo lema do Google é claro: “não seja tão mau que o povo pode começar
a perceber”. E nós estamos começando a perceber.

Como proteger sua privacidade na rede
—————————————————-

Trabalhar nesta questão é realmente um problema social, e não
individual. Pedir para pessoas gastarem seu tempo praticando
“privacidade sanitária” é tanto anti-prático como politicamente
duvidoso. Para criar privacidade online, na nossa opinião, deve-se
pensar coletivamente através do apoio a alternativas ao Google, como o
próprio Riseup.

Além disso, há alguns procedimentos recomendáveis que são medidas no
estilo “instale e esqueça” que não demandam manutenção chata e contínua.

Se você usa o Firefox, o navegador de internet que recomendamos
(http://help.riseup.net/mail/#use_firefox), você pode instalar vários
complementos ou extras (add-ons) para usar enquanto navega. Como o
Firefox é um software livre, membros da comunidade tem desenvolvido
softwares para adicionar novas funções, e qualquer pessoa pode baixar e
usar estes complementos (para maiores informações sobre os complementos
do Firefox, veja https://addons.mozilla.org/en-US/firefox/pages/faq).

Você pode procurar complementos no https://addons.mozilla.org/
(português brasileiro: https://addons.mozilla.org/pt-BR/firefox/,
português europeu:
https://addons.mozilla.org/pt-PT/firefox/?from=%2Fpt-BR%2Ffirefox%2F);
quando encontrar o complemento que procura, basta clicar em “Adicionar
ao Firefox” para instalar. Você pode visualizar todos os complementos
que instalou na barra de ferramentas do Firefox.

Listamos abaixo alguns complementos do Firefox que recomendamos:

* GoogleSharing (https://we.riseup.net/help/googlesharing)
* Targeted Advertising Cookie Opt-Out (TACO) (http://taco.dubfire.net/)
* Adblock Plus (http://adblockplus.org/en/)

Você também pode realizar pesquisas de busca na internet usando:
https://ssl.scroogle.org/

——————————————-
[1] Artigo em inglês: “Google trying not to cross ‘the creepy line’”
(Google tentando não atravessar a “linha do horror”)
http://news.cnet.com/8301-30684_3-10392435-265.html

[2] Artigo em inglês: “Google CEO Eric Schmidt Dismisses the Importance
of Privacy” (Eric Schmidt, diretor executivo do Google, desconsidera a
importância da privacidade)
http://www.eff.org/deeplinks/2009/12/Google-ceo-eric-schmidt-dismisses-privacy

[3 ] Artigo em inglês: “My Reaction to Eric Schmidt” (Minha reação a
Eric Scmidt)
http://www.schneier.com/blog/archives/2009/12/my_reaction_to.html

[4] Artigo em inglês: “Privacy Groups Rip Google’s Targeted Advertising
Plan” (Plano de propaganda dirigida do Google é criticado por grupos de
defesa da privacidade)
http://www.pcworld.com/businesscenter/article/161086/privacy_groups_rip_googles_targeted_advertising_plan.html

[5] Artigo em inglês: “Google to enlist NSA to help it ward off
cyberattacks” (Google ajudará NSA a combater ciber-ataques)
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2010/02/03/AR2010020304057.html

[6] Artigo em inglês: “Social networks make it easy for 3rd parties to
identify you” (Redes sociais facilitam a identificação pessoal por
terceiros)
http://arstechnica.com/security/news/2009/09/which-user-clicked-on-viagra-ads-ask-myspace-and-facebook.ars

[7] Artigo em inglês: Mielikäinen, Taneli. 2004 “Privacy Problems with
Anonymized Transaction Databases” (Problemas de privacidade nas
transações de bancos de dados anonimizados).
http://www.springerlink.com/content/rukljup9muhtrpcu/

[8] Artigo em inglês: Shmatikov, Vitaly and Arvind Narayanan. 2008.
“Robust De-anonymization of Large Sparse Datasets (How To Break
Anonymity of the Netflix Prize Dataset)” (Des-anonimização robusta em
bancos de dados esparsos (Como quebrar o anonimato do banco de dados de
Netflix Prize)).  http://www.cs.utexas.edu/~shmat/shmat_oak08netflix.pdf

[9] Artigo em inglês: Shmatikov, Vitaly and Arvind Narayanan. 2009.
“De-Anonymizing Social Networks” (Des-anonimizando redes sociais
virtuais). www.cs.utexas.edu/~shmat/shmat_oak09.pdf

[10] Artigo em inglês: Digital Pentágono procura por ‘DNA para
identificar Hackers
http://www.wired.com/dangerroom/2010/01/pentagon-searches-for-digital-dna-to-identify-hackers/

Compartilhe:
  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Add to favorites
  • email
  • MySpace
  • PDF
  • Twitter
  • LinkedIn
  • RSS